A investigação da Polícia Federal revela que o padrasto da vereadora Tatiana Medeiros (PSB), que foi presa hoje, é apontado como operador financeiro do esquema criminoso. Stênio Ferreira foi afastado das funções públicas que exercia na Secretaria Estadual de Saúde e Assembleia Legislativa do Piauí. Além dele, o namorado da parlamentar Alandilson Passos que teve mandado de prisão preventiva decretado e uma assessora de Tatiana estão entre os investigados por suspeita de envolvimento com crimes eleitorais.
Nesta quinta-feira, a parlamentar foi presa suspeita de ligação com facção criminosa e integrar um esquema de compra de votos e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal cumpriu oito mandados judiciais, sendo três de prisões em Teresina e Timon (MA) expedidos pelo juiz eleitoral Luiz Henrique Moreira Rêgo. A PF apreendeu celulares e veículos dos investigados. Esta é a segunda fase da operação Escudo Eleitoral, que teve a primeira fase realizada em dezembro de 2024.
A defesa da vereadora disse que ainda não teve acesso aos autos.
Segundo a investigação da PF, o padrasto de Tatiana Medeiros - Stênio Ferreira Santos - atuava como intermediador da parlamentar em pagamentos relacionados à compra de votos e à lavagem de dinheiro por intermédio do Instituto Vamos Juntos, fundado por Tatiana. A parlamentar nega os crimes e atribui a perseguição política.
Durante busca e apreensão no Instituto Vamos Juntos, a PF encontrou documentos contendo listas de eleitores e um relatório intitulado "Relatório Votos Válidos", que consta registros de pagamentos realizados via pix a lideranças e eleitores. Também foram recuperadas informações destruídas de aparelhos eletrônicos da parlamentar. O juiz também determinou a suspensão das atividades da ONG da parlamentar.
Para a PF, a relação estreita entre Stênio Ferreira Santos, o namorado de Tatiana, Alandilson Cardoso Passos, que está preso em Minas Gerais, e Maria Odélia Medeiros, mãe da parlamentar, reforça a existência de um esquema financeiro para beneficiar a eleição de Tatiana Medeiros.
Entenda as medidas adotadas na operação Escudo Eleitoral por decisão judicial:
Na decisão, o juiz determinou o afastamento das funções públicas da vereadora, ordenou que a Secretaria Estadual de Saúde afaste também Stênio Ferreira Santos da função na Sesapi e na Assembleia Legislativa do Piauí. A liminar determina que uma assessora da Tatiana também seja afastada da Câmara Municipal, Emanuelly Pinho, que foi exonerada ainda em janeiro. O magistrado determinou a suspensão das atividades da ONG da vereadora.
O documento afirma que Tatiana Medeiros teria usado sua candidatura para favorecer interesses ilícitos, promovendo um esquema de compra de votos financiado pelo crime organizado. Além disso, sustenta a Polícia Federal que a vereadora mantém vínculos financeiros e estratégicos com membro de facção criminosa.
"Do aparelho celular de Tatiana Medeiros a Polícia Federal aponta informações que indicam seu envolvimento em atividades ilícitas, incluindo destruição de provas e movimentações financeiras irregulares. Sustenta a autoridade policial que as conversas recuperadas demonstram que Alandilson Cardoso prestou apoio financeiro à sua campanha eleitoral, enquanto Tatiana planejava a venda de seu veículo para saldar essa dívida. Além disso, verificou-se que Stênio Ferreira Santos, sem capacidade financeira para movimentar grandes valores, efetuou saques elevados, nos montantes de R$ 30.000,00 e R$ 20.000,00, com a finalidade de repassar tais quantias a Tatiana, ocultando a origem dos recursos", destaca a decisão.
Na investigação consta que o Instituto Vamos Juntos realizava cadastros irregulares de famílias para o controle dos votos e repasses de financeiros a "lideranças" que possivelmente facilitaram a prática de compra de votos.
Na primeira operação da PF “Escudo Eleitoral” foi apreendido R$ 97 mil na residência e no escritório da vereadora.
Agiotagem
O inquérito da PF apontou também que Alandilson Passos, que foi preso por tráfico de drogas e financiamento de organização criminosa, financiava esquemas de agiotagem na Secretaria Estadual de Saúde, sendo os recursos repassados para a vereadora e sua mãe.
Nota da Secretaria de Saúde
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) esclarece que o órgão não é alvo da investigação realizada pela PF no âmbito da Operação Escudo Eleitoral. Ao mesmo tempo, informa que está prestando, junto aos órgãos competentes, todas as informações solicitadas, já que um servidor foi citado na referida operação.
Nota da Assembleia Legislativa
A Diretoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Estado do Piauí informa que a Alepi foi oficialmente notificada pelas autoridades competentes acerca da operação Escudo Eleitoral e que não possui em seu quadro funcional, até o momento, nenhum servidor investigado na operação.
Ressalta que Assembleia Legislativa do Estado do Piauí não possui qualquer envolvimento com os crimes objeto da investigação e que a Alepi, como instituição pública e transparente, coloca-se à disposição das autoridades para contribuir para a melhor elucidação dos fatos.
Por fim, a Casa reitera seu compromisso com a transparência, a ética e o fortalecimento das instituições democráticas, sempre atuando de forma a garantir a confiança da sociedade nos processos institucionais.
Fonte: cidadeverde.com