11 / 07 / 2019 - as 18:19

Esse ano o Estado do Piauí teve uma triste notícia. Uma doença, causada por um vírus, com sigla de time de futebol, atravessou a linha do meio de campo do Ceará e começou a atacar nossos limites.

A Peste Suína Clássica está travando uma final de campeonato com nosso principal time, a ADAPI (Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado do Piauí), tomando terreno e tentando driblar nossa equipe, mas a técnica adapiana, com seus fiscais veterinários e técnicos agropecuários, está neutralizando a PSC, marcando junto e “matando” cada novo ataque/foco da doença.

A ação é calculada e em bloco. Todo local suspeito é visitado, vistoriado, coletada amostra e notificado para confirmação da instalação da doença naquele local. Sendo confirmado, um “contra-ataque” fulminante e ensaiado é posto em prática, com sacrifício de todos os animais com enterro em valas e com a devida indenização aos produtores atingidos.

Mas não para por aí. Todas as propriedades, num raio de 3km, são vistoriadas em busca de sinais da doença.

Bem, essa enfermidade suína está trazendo um prejuízo enorme aos criadores de suínos, principalmente aos da nossa querida Campo Maior.

Quem depende do comércio do animal vivo no mercado do produto está passando por poucas e boas, já que o transporte do animal vivo e a aglomeração em feiras e eventos está proibido, visando impedir que a PSC se espalhe pelo Piauí, já que é altamente contagiosa e o simples contato da roupa de uma pessoa com um animal doente pode transmitir o vírus a um animal sadio.

Mas devemos compreender que tudo está sendo feito para o bem do criador, em todo o estado, seguindo rigorosamente a Instrução Normativa nº 27, de 20 de abril de 2004. Porém, vale lembrar e alertar que a Peste Suína Clássica não é uma zoonose, ou seja, não é transmitida ao ser humano e não está proibido o consumo de sua carne, como muitos boatos surgiram sobre isso.

Cabe à população e criadores, nesse momento, serem o 12º jogador e ajudar a ADAPI a achar os focos o mais rápido possível, comunicando ao escritório mais próximo a suspeita dos seguintes sinais nos suínos e javalis:

* Amontoamento de leitões (sinal de febre);

* Abortamento alto de leitões;

* Conjuntivite;

* Diarréia;

* Manchas avermelhadas a roxa na pele, barriga e extremidades (orelhas, membros, focinho e cauda);

* Vômitos;

* Falta de apetite;

* Tremedeira e andar difícil, desnorteado;

* Animais sem conseguir se apoiar nas patas da frente ou ficar em pé.

Os criadores devem ficar atentos também aos espertalhões de plantão, que adoram momentos difíceis para vender soluções inexistentes, abusando da boa fé do mais necessitado, vendendo produtos como se fossem vacinas para combater essa doença. Isso é completamente falso! Fiquem alerta. As únicas medidas de controle oficial são a proibição da circulação/trânsito do animal vivo e o sacrifício dos animais doentes, somente isso.

Fiquem atentos e qualquer tentativa de comércio de produtos milagrosos como o spray que faz o atleta se levantar igual a cachorro quando avista o dono, mesmo depois de se contorcer como se tivesse perdido a perna, devem ser denunciados para investigação.

A ADAPI está trabalhando a duras penas, mas com profissionalismo de futebol europeu em busca da erradicação da doença e liberação do trânsito e comércio do suíno vivo mais rápido que uma bola chutada numa falta de Roberto Carlos e contamos que não ocorram “barreiras” para que o gol seja feito e a partida encerrada com nossa vitória e a comemoração da população.

P.S.: Em caso de suspeitas ligar para o COEZOO (Centro de Operações em Emergência Zoossanitária para Peste Suína Clássica) - (086) 98825-5250

 

 


27 / 06 / 2019 - as 09:42

A maioria de vocês deve lembrar do Show da Xuxa. No programa, a Xuxa contava com a ajuda de um personagem chamado “Praga”, fantasiado de alguma coisa que até hoje é confuso para mim, não sei se era uma tartaruga ou uma joaninha verde. A certeza é que era um anão fantasiado.

Sim, mas qual a relação disso com agricultura e o texto de hoje? Simples. O programa, sem querer ou querendo (lembrou do Chaves, não foi?), nos faz refletir que é possível conviver com pragas em nossos ambientes, inclusive o rural.

Praga, na agricultura, é qualquer ser vivo (fungo, bactéria, vírus, inseto, planta – sim, planta) que cause prejuízo econômico no que está se cultivando, ou seja, esteja “comendo” ou dificultando a produção no nível que não se tem como ter lucro com o que se colhe.

Mas quando uma praga surge, a cultura do imediatismo implantada na nossa mente, e o querer que não exista mais “pragas” no cultivo, nos leva a usar agrotóxicos e outras alternativas, muitas vezes desnecessárias, para eliminar o agente do prejuízo.

Mas calma, podemos, assim como a Xuxa, conviver com uma praga, ou até mais de uma, principalmente em hortas de fundo de quintal, utilizando produtos de nossa cozinha. Veremos alguns controles que podemos fazer de algumas pragas facilmente em nossa horta.

Pulgões e cochonilhas

Como o próprio nome diz, são insetos bem parecidos com os que tiram a paciência de nossos animais de estimação, porém bem maiores. Se concentram no topo das brotações novas, no caule e nas folhas, causam um engilhamento das folhas (lembra dos dedos depois da piscina?), impedem o crescimento da planta e diminuem a produção da mesma.

O tratamento é muito simples, basta misturar detergente neutro (o amarelo de lavar prato) com água, na proporção de 2% até 5%.

Pegue um borrifador, aproveite um de desengordurante ou compre um novo, são baratos. Geralmente cabem neles 500ml de produto. Basta misturar a esse volume 1ml a 2,5ml do detergente (use uma seringa para não errar). Parece nada, mas essa quantidade já resolve o problema e não intoxica a planta. Faça pela manhã cedo, aplicando somente nos locais que tenham os insetos. O objetivo é acabar com a camada de cera natural dos insetos, expondo eles aos raios solares e matando-os por ressecamento.

Lagartas

Pra elas não precisa de Mister “M”. Locais pequenos basta coletar elas e enterrar. Sempre faça uma vistoria nas folhas atrás de ovos (geralmente são minúsculos, brancos e espalhados) faça a mesma coisa, retire as folhas com eles e enterre.

Caramujos

Pense num bicho cachaceiro. Adora uma cerveja. Com isso, aproveite e disfarce a armadilha no meio do terreno do “tira-gosto” como na foto. Não precisa ser igual, uma cerveja barata, um copo de plástico cortado e um pouco de sal na cerveja já tá garantida a ressaca do bicho. Outra forma é deixar um pano úmido com cerveja a tardinha em um local próximo às plantas. Na manhã seguinte é só recolher os embriagados e enterrar.

Com isso sua produção será sustentável e você irá conviver na plena harmonia que devemos preservar em qualquer sociedade.

Semana que vem iremos fechar com irrigação. Até lá!

Paulo Melo

Engenheiro Agrônomo

Fiscal Estadual Agropecuário – ADAPI

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#segundoagro #portalfato #horta #depressão #pulgão #cochonilha #caramujo #controlealternativo #semagrotóxicos


07 / 05 / 2019 - as 08:51

Tem uma música de Geraldo Vandré, “– Caminhando” - que diz em seu refrão: Vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Grande verdade. Eu ainda me atrevo a melhorar: “quem sabe, ou não, faz a horta, não espera acontecer”. Eu acabaria com a letra da música, não faria esse sucesso que ela se tornou, eu sei, mas ficaria agronomicamente perfeita, não é?!

Isso mesmo. Com a internet aí, não precisa ter grande conhecimento técnico para começar sua libertação dos agrotóxicos e exercitar sua mente contra inimigos depressivos. Basta um smartphone para dar o primeiro passo.

Irei, aqui, me dedicar a algumas folhosas, por serem de crescimento rápido e, perfeitas para a ansiedade.

Coentro

Uma das folhosas do famoso “cheiro verde”. Resistente e muito fácil de plantar. Basta fazer um sulco no canteiro (calma, não mandei beber nada, eu disse SULCO), com até 1 cm de profundidade, espalhar as sementes nele e cobrir com a mesma terra do local. Faça vários desses no canteiro, com a mão ou com a ajuda de um cabo de vassoura, deixando um espaço de um palmo entre um e outro. Uma dica: quente a semente para facilitar sua germinação e aumentar a quantidade de plantas. Da semente de coentro podem nascer duas plantas, então espalhe pequenas quantidades em um pano ou jornal e com ajuda de uma garrafa ou rolo vá passando passando como se estivesse esticando uma massa de pastel. Cuidado pra não terminar deixando como um pó, senão irá somente temperar a terra. Seu ciclo varia de 30 a 70 dias a depender da espécie. Basta observar na embalagem.

Cuidado! Geralmente as sementes de coentro são tratadas com agrotóxicos, facilmente notadas pela coloração vermelha delas. Essas devem ser manuseadas com luvas e somente usadas para plantio.

Cebolinha

O colega da Mônica e complemento do cheiro verde também é muito simples de plantar e barato. Corte as folhas 3 dedos acima da parte branca e reduza o tamanho das raízes pela metade. Com ajuda de um cabo de vassoura, faça pequenos furos no canteiro, distantes uns 10 cm entre eles, com profundidade que cubra a parte branca. Faça o plantio no fim da tarde. Com 40 a 50 dias já poderá usar suas folhas.

Alface

Essa folhosa indispensável em qualquer salada, dá um pouco mais de trabalho. Você deverá ter dotes de médico cirurgião para cultivar. Tá vendo como a agricultura é uma ciência arretada? Podemos voltar a ser criança e fingir sermos vários profissionais.

Seguinte, você poderá iniciar de duas formas: comprar uma bandeja de células em casa agropecuária (parecida com a da foto; tem vários tamanhos) ou usar a imaginação, com copos de papel, plástico e quem sabe, fazer sua própria bandeja, afinal, a criatividade é a exigência do mercado atual.

Faça uma sementeira com a bandeja, plantando 3 sementes por célula, a uma profundidade de 0,5 cm. Com 25 dias você seleciona a maior planta da célula (deve estar com 4 a 5 folhas). Vai assumir que é um cirurgião e fazer a operação de transplante dessa planta para o canteiro. Faça pequenos buracos com o dedo, distante 15 cm um do outro, e coloque a muda nele. Em 45 dias você terá uma alface pra chamar de sua.

Pimenta de cheiro

Separe as sementes e deixe secar à sombra por uns 3 dias. Use a bandeja com células para fazer a sementeira dela, colocando 3 sementes por célula. Aí você segue o mesmo procedimento da alface, transplantando para covas (lembram que falei na semana passada). Com cerca de 100 dias já vai dar pra temperar o almoço da família.

Pimentão

Siga a mesma ideia da pimenta, mas cuidado com a umidade. As covas não podem ficar encharcadas, cheias de água como se fosse fazer uma sopa diretamente no chão. O pimentão acaba morrendo afogado, além de colaborar para o surgimento de doenças mortais também.

Uma observação: sempre que fizer o plantio ou transplante é necessário molhar o solo, sem encharcar.

Dúvidas, sugestões e críticas? Mande um e-mail, mensagem pelo facebook ou diretc que terei o maior prazer em responder. Até a próxima semana. FUI!!!!!

 

Paulo Melo

Engenheiro Agrônomo

Fiscal Estadual Agropecuário – ADAPI

 

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23 / 04 / 2019 - as 08:14

Em tempos de crise econômica ou de base emocional, muitas mazelas começam a nos perturbar e uma delas já virou um dos males do século, a depressão!

Vou, de forma simples e direta, dar dicas para ajudar no tratamento, “0800”, para jovens, adultos e idosos: HORTA!!!

Muitos irão dizer: Dá trabalho! Hora, mas depressão atingi muitos “desocupados” né não? Não tenho jeito pra coisa! Tem que ter formação!

São meras desculpas ao vento. Depressão é coisa séria, pode acontecer com qualquer pessoa e deve ser tratada. Pessoas que ficam os dias plantados na frente de computador ou televisão têm muitas oportunidades de criarem raízes numa horta.

A busca por informação deixou de ser pesada e demorada. Quem já pesquisou numa enciclopédia BARÇA saberá do que falo. Tudo está na leveza de um celular e na rapidez de um coice de preá com a internet que se tem na atualidade.

Ninguém nasce sabendo tudo ou se forma como um Deus. Nem o senhorzinho do pé da serra, que lhe vende a alface na feira, nasceu sabendo. Tudo começa da estaca zero e tem erros e acertos, aí mora a graça da coisa.

Tudo é desafio, encare isso como uma tentativa de conquista do sexo oposto, que você deve ter praticado muito quando jovem, ou até pratica ainda, onde a conquista, o sucesso, o orgulho de dizer: Fui eu que fiz! Fui eu que consegui! Não tem preço. Então, bora lá?

Não precisamos começar querendo abastecer uma CEAPI (Central de Abastecimento do Piauí). Qualquer espaço no quintal, vaso, cano, bota velha... Enfim! Qualquer cantinho serve.

Tudo começa com o local. Como já disse, qualquer um serve, desde que tenha luz direta. Se for plantar no chão mesmo, o ideal é levantar um canteiro, tipo um túmulo, porém, nesse surgirá vida ao invés de cultuar perda. Observe abaixo como montar um.

Limpe a área do mato, pedras e qualquer outro entulho. Cave entre 15cm e 20cm de profundidade para soltar a terra, retirar pedras e facilitar o crescimento das raízes e a chegada da água.

Não faça com largura maior que 1,00m para facilitar limpar e colher, com no mínimo meio palmo de altura (isso evita a umidade e o surgimento de doenças). Caso você o faça ao pé do muro, ele deverá ter somente 50cm de largura e entre eles deixe um corredor de 50cm também. Já o comprimento fica ao seu gosto, disposição e espaço. Utilize cordão e umas estacas para fazer a marcação.

Outra forma são os leirões ou camalhões (mais estreitos) que são melhores para hortaliças maiores, além das covas, buracos no chão que servem para aproveitamento de áreas ao redor da casa.

Uma ideia mais sustentável é usar garrafas de plástico para “moldar” o canteiro, com isso ele fica de pé muito mais tempo e bonitos. Faça enterrando as garrafas de 2L até a metade de seu tamanho e em seguida encha a caixa formada. A criatividade pode ser estimulada com outras formas.

Adube o canteiro com 10 litros (meio balde de sua mãe pra medir, mas depois lave direitinho) de esterco de curral, bem seco, a cada metro de canteiro, com 1kg de cinza (até que enfim uma serventia do que sobra do churrasco), incorporando bem 30 dias antes de plantar para não ter problemas. Se for usar o de galinhas, diminua para 5 litros.

Para as covas, vou deixar bem mastigado pra você não ficar na dúvida e pedir para que desenhe.

Para não ficar muita informação junta de uma só vez, vou dividir o material em 4 postagens, uma por semana. No próximo texto irei falar como plantar algumas espécies. Aguardem. Até lá!

Dúvidas, críticas e sugestões enviem para um de nossos canais abaixo, será um prazer responder.

Paulo Melo

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15 / 04 / 2019 - as 08:54

A semana santa está chegando. Com ela o comércio de pescado e frutos do mar se aquece (mais que orelha da gente quando o povo fala por trás) com o aumento da procura e das vendas.

Com isso, o mesmo cuidado que o cidadão tem com a compra da carne bovina, de criação, suína e aves observando bem tantos detalhes (faltando apenas exigir a certidão de nascimento e cpf) tem que ter com o pescado.

Mas você sabia que existe um órgão estadual que faz esse trabalho por nós?! Não!? Também pudera, pois sua ação está muito pequena e em alguns casos inexistente, devido à falta de mão de obra, equipamento, estrutura e material.

Bem! Quem deveria estar garantindo a fiscalização aos criatórios e em feiras e mercados no estado, seu trânsito e o acesso seguro a pescados, sem muitas preocupações, é a ADAPI (Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí). Porém, não será pela sua incapacidade momentânea, logística e fiscal, que você irá comprar “gato por lebre” e por em risco a saúde de sua família. A seguir, você terá acesso a dicas valiosas para escolher um peixe “fresquim” para que sua semana santa não seja de rei ou rainha (no trono) e sim cheia de graça, além das que fiz.

Olho no olho

Escolha o peixe de olhos brilhantes, iguais aos do seu filho quando ganha o brinquedo que passou o ano chorando pra ter. Olhos opacos devem ser ignorados

Atenção nas brânquias

Levante aquela parte que divide a cabeça do corpo, Lá dentro estão as brânquias e elas devem estar bem avermelhadas. Agora se estiverem rosadas ou acinzentadas, recuse. Mas porque se chamam “brânquias” se são vermelhas?! Vôte!!!

Namore o bicho

Toque o peixinho antes de comprar. Nesse caso não tem assédio. Verifique se a carne está firme e não se solta em alguns pontos. Observe se tem nenhum inchaço na barriga, se sim, é desilusão na certa, acabe o relacionamento e parte pra outro.

Escamas unidas jamais serão vencidas

Passe o dedo nelas, se soltarem com facilidade o almoço vai ter clima de finados.

Perfume francês

Peixe tem cheiro de peixe, de maresia, qualquer cheiro diferente pode ser sinal de falta de conservação adequada e você deve partir para outro.

Paulo Melo

Engenheiro Agrônomo

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09 / 04 / 2019 - as 09:47

Não é de hoje que os agrotóxicos causam problemas na sociedade e no meio ambiente, mas sou convicto que muito disso se dá pela falta ou pouca execução de uma ação muito importante para qualquer um envolvido direta ou indiretamente com o assunto: Educação Sanitária.

Se analisarmos melhor as matérias divulgadas nas mídias, a população que mais sofre com a ação dos químicos são os agricultores, fazendo uso incorreto dos venenos, sem a proteção exigida, com compra irregular e sem orientação, com diluição completamente desproporcional ao indicado no rótulo, recaindo em prejuízos a sociedade como um todo, com o descarte incorreto das embalagens vazias e o não cumprimento do intervalo de segurança (repouso entre a aplicação e o momento de colheita para consumo seguro do produto), por exemplo.

A situação piora quando instituições que deveriam colaborar facilitando o acesso a essa informação, como EMATER, estão Brasil afora em situação calamitosa, atendendo a outros interesses que não seja da população. Órgãos fiscais do meio rural como CREA também tem sua parcela de culpa, com fiscalizações insuficientes, infelizmente não por vontade própria, mas por falta de recurso, financeiro e humano e/ou planejamento estratégico.

Os muros das instituições de ensino de cursos rurais devem cair facilitando cada dia mais o acesso à informação, a sensibilização do campo, com aulas práticas que envolvam cada fez mais a comunidade e que o agrotóxico seja tratado não como um criminoso, mas como uma arma perigosa com vários efeitos colaterais, desde que não seja corretamente usada, com todos os cuidados e recomendações e não sendo a única fonte de extermínio de pragas nas lavouras.

O poder público e a iniciativa privada devem ser exigidos a cumprir mais fortemente o que determina o artigo 19 da Lei nº 7.802/89 – define que o Poder Executivo desenvolverá ações de instrução, divulgação e esclarecimento, que estimulem o uso seguro e eficaz dos agrotóxicos, seus componentes e afins, com o objetivo de reduzir os efeitos prejudiciais para os seres humanos e o meio ambiente e de revenir acidentes provocados pelo seu mau uso e as empresas produtoras e comercializadoras de agrotóxicos, implementarão em colaboração com o Poder Público, programas educativos e mecanismos de controle e estímulo à devolução das embalagens vazias por parte dos usuários.

Já o art. 2º do Decreto nº 4.074/02 – define que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Saúde e do Meio Ambiente, nas suas respectivas áreas de competência, desenvolver ações de instrução, divulgação e esclarecimento sobre o uso correto e eficaz dos agrotóxicos e afins.

Porém, não deveria ficar somente aí. Deveria ser mais exigida nos próprios cursos de ciências agrárias, veterinárias e saúde, com certa profundidade, devido a importância dos agrotóxicos também em produtos veterinários e domissanitários (produtos para uso domestico e jardinagem) que utilizam alguns princípios ativos iguais aos aplicados em lavouras, com concentrações menores.

A ação de educação sanitária deve ser cobrada com mais rigor, inclusive das agências fiscais estaduais, com dispositivos de cobrança de sua realização mais eficaz, evitando que o servidor não a cumpra, deixando a comunidade rural desassistida de informações básicas essenciais para evitar intoxicações diretas ou indiretas, dos seres humanos ou meio ambiente. Mesmo sendo sabido que, no popular, a informação “entra num ouvido e sai no outro”, a reciclagem dos agentes responsáveis sobre metodologias pedagógicas de transmissão de conteúdo colaborariam demais, juntamente com a massificação desse repasse, já que “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”.

Observe a tabela abaixo retirada do livro Defesa Vegetal – Fundamentos, Ferramentas, Políticas e Perspectivas de Sugayama, et. al., 2015. Veja que muitas irregularidades no campo podem ser corrigidas com momentos de repasse de informações.

Contudo, atualmente, é inadmissível viver de braços cruzados esperando a morte, ou no caso, a informação chegar. Diversos são os canais com material de qualidade e de graça, mas cabe a você também, agricultor, estudante ou curioso, buscar as instituições públicas e provadas e seus servidores ou colaboradores para palestras, mini cursos e capacitações nas suas escolas, bairros e comunidades. Exerça seu direito de cidadão e ajude na transmissão desse saber. Tenho certeza que, embora a imagem do servidor público ande desgastada, você conseguirá achar profissionais capacitados a realizar tais eventos.

A ADAPI (Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Piauí) está sempre de portas abertas e executando suas atividades com qualidade, pontualidade e respeito ao que é público e de direito da sociedade.

 

Paulo Roberto de Albuquerque Melo Segundo

Engº Agrônomo

Fiscal Estadual Agropecuário – ADAPI

e-mail: paulomeloadapi@gmail.com

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02 / 04 / 2019 - as 08:17

Estamos atualmente vivendo num mundo cheio de empreendedores em todos os setores, muitos bombam do dia para a noite, principalmente os que se aventuram na internet.

E a que se pode creditar o alcance do sucesso? Criatividade? Sorte? Empenho? Nascer com a bunda pra lua? Pode ser isoladamente um desses fatores ou tudo junto, igual meu prato de almoço - que já rendeu até uma chamada do meu pai, dizendo que parecia um pedreiro mexendo massa.

Mas pra mim uma coisa foi a mais determinante, a administração. Administrar bem (daí o nexo com o título! Forcei né? Vou melhorar) é essencial em tudo na vida, e para executar isso bem, tem que se buscar a informação. Muita gente hoje em dia ainda olha tronxo quando encontra alguém que faz o curso de Administração não sei por que?!

Segundo Antônio Cesar Amaru Maximiano em “Teoria Geral da Administração - Da Revolução Urbana à Revolução Digital”, o processo de administrar é inerente a qualquer situação onde haja pessoas - recursos - objetivos. Então, um curso que tem como objetivo ensinar o processo de tomar decisões e colocá-las em prática conforme os objetivos traçados e os recursos disponíveis, não poderá chamais deixar de existir.

Isso é que falta, muitas vezes, na agricultura familiar. Políticas públicas, ideias, execuções com a participação de um administrador (de nível médio ou superior). A combinação da prática agrícola com a logística e planejamento, que quando não falta é muito superficial nos cursos agrários, é que faz a coisa crescer com inteligência, programação e sucesso.

Não é a toa que a visão da falta desse tipo de instrução já despertou o SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, com a oferta de um curso técnico em agronegócio (formação de profissionais com visão estritamente administrativa) de forma moderna, com 80% de sua carga horária de forma EaD (a distância, via computador),começando a pontear essa ferida.

Pegando esse embalo, estados, municípios e instituições de ensino podem muito bem melhorar a situação da agricultura familiar criando convênios entre si para o uso adequado da administração no acompanhamento das regiões produtivas, concessionários de mercados públicos e fornecedores de feiras livres e orgânicas ou agroecológicas.

Nem tudo são flores, a resistência é grande pela desconfiança com o setor público e a classe política, por achar que se ficarem sabendo de seus números produtivos, seu caixa, serão taxados com mais impostos e ter parte confiscada. Mas quem disse que ia ser fácil? Tudo tem um preço. Mas de grão em grão a galinha enche o papo, já dizia minha avó. Tudo se começa pequeno e muitas vezes sem objetivos grandes, como o Winderson Nunes, e de repente, PEI! A coisa cresce e no fim todos ganham com o giro da economia soprando o vento da prosperidade com mais força que cortador de cana depois de um cuscuz.

 

Paulo Melo

Engenheiro Agrônomo

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26 / 03 / 2019 - as 16:33

Quem nunca comprou uma laranja achando que era a mais suculenta ou levou pra casa uma melancia com “lágrimas na boca” e ao abrir a fruta bateu aquela decepção, a melancia esbranquiçada e aguada igual ao Geraldo Alckmin ou a uma laranja seca, similar a uma resposta do Bolsonaro ou igual à Marina Silva?!

Escolher fruta nem sempre é uma tarefa fácil, até pra mim que sou engenheiro agrônomo. Muitas vezes sou cobrado por isso, pelo fato das pessoas acharem que quando saímos da faculdade sabemos de tudo e que isso é básico para a profissão, mas não é bem assim. Parece frustrante, mas é a realidade. Mas nem tudo está perdido e irei provar que você será capaz de comprar, possivelmente, uma fruta doce, porque nem tudo é exato como matemática, e, de quebra, provarei a mamãe que, apesar de não saber plantar coentro, ao menos sei escolher frutas.

Coco verde

Sim, é fruta! Escolhe-se sempre o mais pesado e que não emita som ao ser balançado. Os pontiagudos e opacos geralmente deixarão seu uísque mais saboroso. Aproveitando que estamos falando dele coco, na seleção do seco, deve-se observar os “três olhinhos”, devem estar firmes e sadios, “vendo tudo”; já a técnica de bater com um metal, deve-se observar se o som emitido é estridente, se for um som fofo, oco, desista.

côco verde

 

Melancia

Já tive muita decepção com essa caixa d’água, mas com essas dicas, tudo ficou melhor. Selecione sempre aquela que seja mais pesada que seu tamanho demonstrar.

A melancia tem uma “barriguinha” que não leva sol, essa parte fica o tempo todo em contato com o solo e quando colhida antes do tempo ela será branca, então, procure as “barrigas” amareladas e mais redondas. 

O talo seco é um bom indicativo, então, siga as leis de trânsito e passe direto pelos verdes. Agora se você é bom de ouvido, dê uns cascudos na rechonchuda, se soar grave e oco, o juízo pode ser pouco, mas a doçura pode ser demasiada.

Abacaxi

            O rei das frutas não tem a cor como um determinante muito bom, porém geralmente os amarelados indicam um ponto de maturidade bom (esqueça os totalmente marrons, verdes ou amarelos). Não precisa destronar a fruta arrancando sua coroa, basta segurar a fruta por uma de suas folhas, ela deve soltar sem muita resistência. Para fechar a seleção e sua mulher lhe coroar campeão, o ananás deve ter um cheiro adocicado.

Laranja

            Muito fácil adocicar sua vida com um suco dourado, basta escolher as de casca fina, lisa e brilhante que a satisfação é extasiante.

Maracujá

            Leve para sua casa os mais pesados e com polpa solta. Casca similar a seus dedos depois de muito tempo na piscina, ajudam a garantir um sucesso. Se tiver cheiroso, não fique nervoso, leve pra casa e relaxe!

Melão

            Pressione o fundo da fruta, parte contrária do talo, com os polegares. O local deve estar macio, muito mole tira sua juventude. Balance os danados e se as sementes soarem soltas, ótimo. Cheiro suave a adocicado irá lhe proporcionar muitos elogios.

Dê preferência às frutas da época, pois se utiliza menos agrotóxicos e são mais baratas pela maior oferta no mercado, assim como as frutas locais.

Prometo aprender a plantar coentro, ok mamãe?!

Paulo Melo

Engenheiro Agrônomo

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